Um bocado de coisa

Sobre

Arquivista não formada, sonhadora consumada. Um pouco de escritora frustrada, um pouco de musicista frustrada, um pouco de dançarina frustrada. Entre outras tantas coisas, gosto de viver com a possibilidade de fazer arte e gosto de quase toda arte, pois ópera me dá sono. Sempre me senti sem raízes, acredito que por conta das várias mudanças quando criança e mesmo depois de adulta. Gosto da segurança singela de um abraço apertado, de um beijo espontâneo de um olhar firme. Não sei e não ouso definir o que é ser amigo ou ser amor, acho que definições limitam o ser e o amar. Acredito em vida após a morte, mesmo que de vez em quando duvide de Deus. Acredito na vida, apesar de nos últimos tempos minha crença ser posta à prova quase que diariamente. Não acredito em pessoas que não riem, não acredito em amor a primeira vista e não acredito em tudo o que falo. Mas acredito no amor.

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Consolo na Praia

Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

[Carlos Drummond de Andrade]

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