Um bocado de coisa

Eu escrevo, tu corriges, eles não se importam

Publicado por: Lidiane em: 02/09/2010

Olha, eu não sou expert em nada nessa vida e gosto assim. Houve um tempo em que eu quis ter tido grana ou que minha família tivesse tido pra investir na educação do povo lá de casa. De todos os meus irmãos, nenhum é formado… Aliás, nenhum dos meus tios é também. Queria ter feito aquele curso de inglês e aquele outro de fotografia, um intercambio, um curso de latim pra que quando o amor, enfim, ficasse senhor de mim eu não ficasse sem saber o que dizer, com a devida licença poética ao meu amigo Milton Mágico Nascimento.

Fiquei pensando nisso depois de ler em um desses blogs da vida a autora dizendo que acha lamentável fulanos que escrevem tal palavra errada, ou se expressam de forma não condizente com o Português correto e critica não sei quem por ter dito que tal poema era de um autor quando era de outro. Pondo em prova o talento criativo de quem cola e copia textos da internet.

Eu já colei textos da internet. Talvez pela falta do tal talento criativo só consigo escrever bonito mesmo, de verdade, quando estou triste de não ter jeito ou com raiva até o último poro – e ainda assim os erros do meu português ruim (né, Roberto?) me seguem. Minha grande amiga Larissa sabe, tadinha. Acho bonito? Não. Mas acho meio desnecessário esse estardalhaço que se faz em torno disso. Acharia mal caratismo se a pessoa que colou o tal texto ganhasse dinheiro e/ou prêmios em cima da produção de outra pessoa, mas só posar de “eu escrevo bem pra baralho”? Sei não…

O que eu acho lamentável, o fim da picada, que é de matar ou morrer de raiva é quando a pessoa estuda, sabe? Quando os pais pagam os melhores colégios, os cursos mais caros, as viagens mais bonitas e tudo o que o individuo absorve é que é superior aos demais. Se achar superior está além de apenas se ter dinheiro, se achar superior é quando você decide que só você importa. Seja no encontro do domingo quando só você quer trocar de mesa e o resto do grupo não, seja num texto mal escrito, seja numa relação… Sabe quando você decide que só você e quem você ama tem coração e sentimentos? Isso é se achar superior, mas – felizmente – não é ser. Pois ser, mesmo, somos todos do mesmo material. Benzadeus!

Passei grande parte da minha amizade com a Pretinha dizendo que, como diria Vinícius, eu sou daquelas que só dizem sim. Um dia desses a esposa de um amigo do Chico estava almoçando com a gente e nos corrigiu: não, essa é do Chico. Um minuto de silêncio pra eu e a Pretinha dividindo a mesa do almoço com um casal de amigos íntimos pessoais do Chico. Aí eu pensei, claro que é do Chico! E olha que Larissa e eu somos fãs de ambos. E somos mesmo. Não me venha com essa história de que pra ser fã eu tenho de saber tudo da vida e obra do artista. Francamente, acho que nem o Chico e nem o Vinícius se importam.

E tenho certeza: o Toquinho definitivamente não se importa. E até se diverte, né, Larissa?

4 Respostas para "Eu escrevo, tu corriges, eles não se importam"

Marco Aurélio disse (19:00):
se acaso me quiseres so dessas mulheres que só dizem SIM!
Marco Aurélio disse (19:01):
HEUheauhaeuhUEHu
Larissa Nogueira disse (19:01):
eiiii
essa frase é minha
hahahahahahahaha

É nossa, Pretinha!

Na boa, eu vou dizer pra sempre que “sou daquelas mulheres que só dizem sim, como ja dizia Vinícius”. Tenho certeza que ele me dá essa licença poética. E o Toquinho? Ainda bem que ele vive! Hahahahaha… Te amo, praga!

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Vamos, não chores.
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.

O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.

Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis carro, navio, terra.
Mas tens um cão.

Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?

A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

[Carlos Drummond de Andrade]

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