Publicado por: Lidiane em: 28/11/2009
Fiquei pensando nos valores que eu devo passar a meu filho. É claro que sei que não conseguirei ensinar tudo o que desejo, até porque sou humana, passivel de erros e meu filho, convivendo comigo no dia-a-dia, com certeza verá essas falhas melhor que eu.
No entanto, o mínimo que posso fazer como mãe é ensinar a ele que somos todos seres humanos, que o mundo e muitas, muitas, pessoas não são justas – mas não deixam de ser humanas. Que o fato de ele se vestir melhor que o colega ao lado não fará dele seu superior e que se vestir pior, tampouco, fará dele seu inferior. Que a única coisa que levamos dessa vida somos nós mesmos e que o que deixamos fica para orgulho ou vergonha daqueles que nos amam e que amamos, e que o único compromisso verdadeiramente importante nesse mundo tão absurdo é com sua própria felicidade. Que o dinheiro é apenas um meio, não um fim. Que o dinheiro, aliás, não compra felicidade, mas ajuda muito a buscá-la e que se você passa por cima das pessoas para buscar dinheiro, este mesmo dinheiro não lhe ajudará a ser feliz. Que o que não começa bem, e isso inclui coisas como relacionamentos pessoais, românticos e profissionais, dificilmente terminará bem. Que a honestidade e sinceridade não é um favor que você faz aos outros, mas uma satisfação que você dá a si mesmo e um desafio que a própria vida lhe propõe. Que ser bom ou mau não faz o menor sentido, todos seremos bons e maus no decorrer da vida. Alguns serão maus de propósito, se julgando superiores – Hitler que o diga -, mas outros serão bons por puro amor ao próximo ou à vida e que, no entando, bons ou maus, somos todos feitos do mesmo material, gente feita de barro, gente que evoluiu do macaco, gente que, enfim, nasceu para provar algo que não sabe o quê, mas topa o desafio e manda ver!
Publicado por: Lidiane em: 21/11/2009
A lembrança mais antiga que ela tinha era de sua festa de aniversário de cinco anos. Naquela época morava com uma tia-avó, o esposo e seus cinco filhos: dois rapazes e três moças. Soube anos depois que os avós lhe deram àquela família porque a mãe não tinha condições financeiras e psicológicas de cuidar das seis crianças que tivera – além de sofrer de algum outro problema que até os dias de hoje não sabe ao certo do que se tratava – diziam as más línguas que devido a uma surra que seu pai dera na mãe, ela ficara irremediavelmente debilitada. Recordava com carinho daquela família, mas lembrava também de todas as traquinagens que aprontara. Tinha a certeza de não ter sido uma criança fácil, como também de não ter sido uma filha excelente e, talvez por isso, se empenhava tanto em ser boa mãe, em ter algo bom para mostrar e passar adiante: meio que uma forma de compensação. Mudara um bocado depois que o filho nascera e acreditava que se um filho não fosse capaz de transformar alguém, nada mais seria. E, no entanto, as imagens daquela festa de cinco anos sempre lhe voltavam à mente: a decoração de balões coloridos, os inúmeros brinquedos, a corrida desabalada no meio de um monte de outras crianças tão sapecas quanto ela, a satisfação em sentir-se única, ali, em meio aos demais, o mundo de bombons coloridos, a comida farta, ela fazendo manha para que lhe tirassem a tiara amarela dos cabelos e lhe pusessem as orelhas de coelho, como todas as demais crianças: com cinco anos aquela garota não queria ser diferente, pelo contrário, queria ser igual, queria ter uma família bonita e unida feito os amiguinhos do colégio de freira onde estudava. Queria ser criança e ser tratada como tal, queria não ter como única fonte de alimento as frutas furtadas pelo irmão das barracas da feira e a merenda escolar, queria que sua mãe tivesse parado nos seis filhos, queria não mudar de casa o tempo todo – aliás, queria ter uma casa – e não ter pessoas cobrando de sua mãe um dinheiro que ela não tinha para pagar o aluguel, e queria ter luz elétrica em casa e televisão para que não tivesse de assistir aos desenhos pelas fretas das tábuas de madeira da casa vizinha, e que seu pai não tivesse sido um crápula e que ele não tivesse batido muitas tantas vezes em sua mãe, e queria – queria muito – ter tido chance de estudar mais, de aprender mais. Às vezes, com tristeza, pensava em como seria sua vida se fossem outros os caminhos, se nunca tivesse saído do seio daquela família que lhe dera o amor e o cuidado que sua mãe até quisera, mas não soubera lhe dar. Não culpava a mãe por nada, nada, nada, mas sabia que suas visitas incessantes a tornavam manhosa e mal criada muito além do que os tios estavam dispostos a suportar. E lembrar-se disso a entristecia.
Publicado por: Lidiane em: 19/11/2009
Preciso urgentemente fazer alguma coisa que eu gosto na vida! Muita rotina, muito cotidiano, super querendo entrar de férias, aniversário de primeiro ano do Marcelo chegando e eu aqui: sem fazer nada.
Publicado por: Lidiane em: 13/11/2009
Às vezes me comovo, outras sinto muita raiva daqueles pedintes pelos ônibus da vida.
Há um bar em Belém chamado Bar do Parque que fica ao lado do Teatro da Paz, antigamente não era bar, mas a bilheteria do Teatro. Um charme só aquele bar! É lastimável, no entanto, que não se possa sentar ali sem ter um pedinte de quinze em quinze minutos contando uma história qualquer de desgraça em sua família, ou hippies tentando nos empurrar sua arte – que é bonita, até, mas haja dinheiro pra comprar uma coisinha de cada um que passa por ali.
Você pode pensar que estou sendo injusta, pois as coisas estão difíceis, não tem emprego pra população, o Governo não faz nada para ajudar essa gente e todo esse blá blá blá absolutamente verdadeiro de miséria geral, mas eu me sinto agredida algumas vezes por essa gente.
É muito ruim você não poder tomar um chope e bater um papo com uma amiga sem que haja alguém esfregando na sua cara as mazelas da vida. Ei, eu tenho minhas próprias mazelas, acredite!
Dia desses subiu uma figura no ônibus e veio com aquele bordão de doença: “oi, gente, primeiramente quero agradecer ao motorista em primeiro lugar… e queria pedir a ajuda de vocês porque eu tenho uma doença que não me apermite trabalhar, eu tenho epilepsia elepsia e preciso de um medicamento que custa dez reais (a caixa de um remédio vazia na mão), só dez reais… aqueles que puderem me dar essa força, eu agradeço. Não posso pagar a todos vocês, mas Deus está vendo e tenho certeza que ele vai compensar cada um de vocês…” Como ninguém se moveu no ônibus, ele ainda ficou lamentando um bom tempo e contando história pra boi dormir. Até que, desconfio que mais pra se livrar do cara do que por acreditar que ele estava realmente doente, algumas pessoas começaram a tirar as moedinhas que pagariam o ônibus de volta para casa e as entregaram ao fulano. Foi quando ele se entregou: “essa doença é muito ruim, agorinha mesmo na parada se não fossem forem as pessoas me ajudarem o ônibus tinha me batido porque eu tive uma crise. As minhas coisas em casa são todas separadas da minha esposa porque o médico disse que é contagioso passageiro e pode passar pra alguém…”
Ah, qual é? Além de me agredir a sensibilidade o cara ainda tenta agredir minha inteligência? Vou te contar, viu!
Para quem não sabe, epilepsia não é contagiosa.
Publicado por: Lidiane em: 12/11/2009
- Vi num programa de TV que o Harry Potter e o Enigma do Príncipe vendeu mais livros em um dia do que O Código da Vinci em um ano!
- Nossa! Por falar em livros, preciso comprar O Hobbit de novo, o que eu tinha sumiu.
- Não fui eu! A única coisa que roubei de você foi seu coração e eu não devolvo, nem adianta.
- Ah, mas eu também tenho seu coração.
Publicado por: Lidiane em: 19/10/2009
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
[Carlos Drummond de Andrade]
Publicado por: Lidiane em: 30/09/2009
Esta semana me peguei relendo Caio e Clarisse. Coloquei o cd da Norah Jones para que desse equilíbrio na alma enquanto relia aquelas tantas linhas de duas vidas inteiras atormentadas por sentirem demais. E tudo começou com Caio contando para Hilda sobre como Clarisse tinha olhos hipnóticos e quase diabólicos e sobre como era impossível sentir-se à vontade perto dela, pois se tinha o pressentimento exato de que ela sabia absolutamente tudo que se passava ao seu redor.
E depois, para uma avenca partindo, sempre me deixa essa sensação de, cabeça enconstada na vidraça do ônibus, deixar a paisagem correr e pensar demais em você.
Publicado por: Lidiane em: 21/08/2009
Publicado por: Lidiane em: 19/08/2009
Publicado por: Lidiane em: 17/08/2009
Fui lá na Ciça e peguei pra mim:
1. Nome?
Lidiane Martins
2. Porque lhe deram esse nome?
Foi uma briga ferrenha onde meu pai queria Luana e mamãe Lidiane. Nem preciso dizer quem ganhou…
3. Você faz pedidos às estrelas?
Sim, sim. Sempre (se realizaram? Não, não. Nunca).
4. Quando foi a última vez que você chorou?
Quando o Marcelo nasceu.
5. Gosta da sua letra?
Às vezes… Como é de forma não fica cheia de garranchos, mas parece letra de homem.
6. Gosta de pão com o que?
Não gosto muito de pão, mas como com margarina.
7.Quantos filhos você tem?
Um mocinho.
8. Como se chamam e quantos anos eles têm?
Marcelo, oito meses.
9. Se você fosse outra pessoa, seria seu amigo?
Não sei, eu sou um bocado chata. Meu medo é que, eu sendo outra pessoa, eu não me aturasse.
10. Tem um diário?
Tenho um blog e apesar disso não perdi a mania de escrever em pequenos cadernos.
11. Você é sarcástico?
Não consigo, fico mais no “explosiva”.
12. Saltaria de bungee-jump?
Não.
13. Desamarra os sapatos antes de tirá-los?
Never.
14. Acredita que você seja uma pessoa forte?
Certamente, mas eu também prefiro não precisar ser.
15. Seu sorvete favorito?
Açaí.
16. Quanto calça?
37
17. Vermelho ou Preto?
Preto.
18. O que menos gosta em você?
Minhas unhas. Quebram demais, as bichinhas.
19. O que mais gosta em você?
Minhas mãos (não faz sentido, eu sei. O que posse fazer?)
20. De quem você sente saudades?
De mamãe.
21. Descreva que roupa e calçado você esta usando agora:
Calça jeans com alguns rasgadinhos e um cinto largo, camisa-uniforme da produtora onde trabalho e um tênis all star verde musgo
22. Qual foi a ultima coisa que comeu hoje?
Acabei de almoçar: feijão preto, arroz branco e carne assada. Depois tomei, sem exagero, meio litro de açaí.
23. O que você está escutando agora?
O barulho do ar-condicionado.
24. A última pessoa com quem falou ao telefone?
Miranda, meu marido.
25. Bebida favorita?
Suco de cupuaçu.
26. Comida favorita?
Feijão, arroz e bife acebolado. Se tiver um ovo frito também, é ótimo!
27. Filme de terror ou com final feliz?
Final feliz, claro. Não aguento as notícias diárias que, por si só, já são um horror.
28. Último filme que viu no cinema e com quem?
Harry Potter, com o marido.
29. Dia Favorito do ano?
Não sei… Não penso em coisas assim. Acho que tenho momentos favoritos no ano: o mês de junho, o círio, alguns finais de semana especiais… Essas coisas.
30. Inverno ou verão?
Inverno.
31. Beijos ou abraços?
Beijos e abraços.
32. Sobremesa favorita?
Pudim de leite.
33. Que livro está lendo?
Resolvi reler a coleção do Harry Potter. Estou no terceiro.
34. O que tem na parede do seu quarto?
Um quadro com a caricatura de um monte de amigos, um quadro de santa Rita de Cássia e outro do Papa João Paulo II.
35. O que assistiu ontem a noite na TV?
Nada, fui ler na cama enquanto Marcelo dormia.
36. Onde foi o lugar mais longe que você foi?
São Paulo.
Quem quiser pegar pra sí, à vontade…
ps. ando mesmo meio sem tempo e coisas legais para contar aqui.